O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo?

A Liturgia deste domingo nos coloca no mesmo ambiente de domingo passado. Jesus escolheu discípulos para estar com Ele e aprender d’Ele o caminho do discipulado. Eles aceitaram o chamado e agora serão enviados ao mundo a fim de continuarem a obra libertadora e salvadora de Jesus. Antes de partir, porém, eles serão instruídos e preparados para a missão.

O texto do Evangelho é de São Mateus. Ele apresenta uma espécie de “manual do missionário cristão”. A atividade missionária é parte integrante e decisiva da vida cristã.

Jesus alerta os apóstolos que a missão pode vir acompanhada de perseguições e incompreensões. Por três vezes, Jesus repete “Não tenhais medo”. Ao mesmo tempo, Ele garante que estará sempre ao lado dos apóstolos em todos os lugares e em todo o tempo. Contudo, eles mesmos deverão percorrer este caminho.

O medo nasce de várias causas, mas na origem há sempre um sentimento de inadequação e sensação de fragilidade e incapacidade. O profeta Jeremias dizia a Deus que não era capaz, não sabia falar porque era muito jovem.  Deus, por sua vez, lhe garante que estará ao seu lado como um forte guerreiro. Desta forma, o profeta vai denuncia o mal e anuncia a boa nova. Da mesma forma, Jesus assegura aos seus discípulos sua presença, ajuda, proteção, a fim de que eles superem o medo e a angústia que resultam da perseguição.

O próprio Deus é quem garante a palavra anunciada. Nas palavras dos discípulos há uma força explosiva que vem de Deus. Nenhuma perseguição, nenhum atentado poderá impedir a proclamação e o conhecimento da mensagem. É obra de Deus. Não pode ficar escondida, deverá ser proclamada nos telhados.

O poder dos homens é limitado, eles não controlam a vida e morte, somente Deus pode decidir o que acontecerá com cada um. O temor reverencial de Deus, juiz supremo, ajudará os missionários a superar o medo da morte física, confiando na providência do Pai e confessando impavidamente Jesus Cristo diante de todos.

Deus é um Pai cheio de amor e de ternura, sempre preocupado em cuidar dos seus filhos. Quem descobriu o amor de Deus não pode ter medo. A certeza de ser filho sustenta a capacidade do discípulo em empenhar-se – sem medo, sem prevenções, sem preconceitos, sem condições – na missão. Nada – nem as dificuldades, nem as perseguições – conseguem calar esse discípulo que confia na solicitude, no cuidado e no amor de Deus Pai.

“A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Papa Francisco).